A manifestação cultural “Arte de construção dos muros em pedra seca no Maciço Calcário de Sicó” foi oficialmente inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), reforçando o reconhecimento de um saber-fazer ancestral profundamente ligado à identidade, à paisagem e à história deste território.

Integrada no domínio dos processos e técnicas tradicionais, na categoria “Arquitetura e Construção”, esta prática distingue-se pela construção manual de muros em pedra calcária, recorrendo exclusivamente ao conhecimento técnico dos seus executantes. A técnica assenta na seleção, preparação, encaixe e justaposição das pedras, sem necessidade de argamassas ou processos industriais de transformação, garantindo a estabilidade das estruturas através do equilíbrio e do domínio artesanal.

Presente nos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure, esta arte constitui muito mais do que uma simples técnica construtiva. Os muros de pedra seca desempenham um papel fundamental na organização do território, na delimitação de propriedades, no suporte de terrenos agrícolas e na preservação da paisagem característica do Maciço Calcário de Sicó.

A inscrição no INPCI reconhece não apenas o valor patrimonial desta prática, mas também os processos sociais e culturais que asseguram a sua continuidade. O conhecimento é transmitido entre gerações através da observação direta, da oralidade e da experiência prática, mantendo vivo um património que continua a fazer parte do quotidiano das comunidades locais.

Este reconhecimento representa um importante contributo para a valorização e salvaguarda dos conhecimentos tradicionais da região, promovendo a preservação de uma herança cultural única que continua a moldar a paisagem e a identidade das Terras de Sicó.

A inscrição foi formalizada através do Anúncio n.º 131/2026, publicado em Diário da República a 3 de junho de 2026.

Partilhar :